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Município Alagoano não registra homicídios há oito meses

Município Alagoano não registra homicídios há oito meses
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Considerada uma marca histórica, o município de Porto Real do Colégio, localizado na região do Baixo São Francisco de Alagoas, está há oito meses sem registros de Crime Violento Letal Intencional (CVLI). A informação foi confirmada nesta sexta-feira, dia 27, pelo delegado de Polícia Civil de Alagoas (PC/AL), Rômulo Andrade.

Em entrevista à reportagem do CadaMinuto, o delegado, que é titular da delegacia de Porto Real do Colégio e de São Brás, informou que a unidade de segurança foi assumida em 2018, ano em que foram registrados sete homicídios, representando uma redução de mais de 50% em relação a 2017, em que foram contabilizados 15 crimes contra a vida.

Ainda segundo Rômulo, em 2019, até o momento, apenas quatro casos desse tipo foram registrados no município, sendo o mais recente ocorrido no dia 26 de abril. “São oito meses sem CVLI’s, que são crimes que abarcam, além de homicídio, latrocínio, infanticídio, lesão corporal seguida de morte, entre outros crimes. É uma marca histórica. Antes disso, o hiato mais longo já registrado no município datava do ano de 2012. Na época, a cidade ficou cinco meses sem registrar esse tipo de crime.”, explicou o delegado.

Redução na criminalidade

Questionado sobre a que se deve essa redução nos índices de criminalidade, o profissional disse que ao assumir a delegacia da região, algumas diretrizes foram estabelecidas. “A nossa meta era dobrar a conclusão de inquéritos, triplicar o atendimento à população e quadruplicar o número de prisões. Essas metas foram rigorosamente cumpridas”, salientou.

Além disso, Andrade disse também que priorizar os crimes de menor lesividade e que possuem potencial para gerar homicídios, principalmente, contra mulheres e crianças, foi fundamental. “Isso fez com que nossa equipe distribuísse melhor as investigações por todos os povoados e locais mais periféricos. Em suma, evitar os crimes sendo mais presente na comunidade”, apontou.

A unidade de segurança do município de Porto Real do Colégio, de acordo com o delegado, é composta também por seis agentes e um escrivão de polícia. “O município vive uma situação muito favorável no que tange ao sistema de justiça criminal”, destacou.

Mulheres são as principais vítimas

Perguntado sobre os crimes que ainda atingem a cidade, o delegado falou que a quantidade de crimes em que a vítima é a mulher ainda alarma. “Apesar de, atualmente, priorizarmos investigações de estupro e Maria da Penha, a solução para esse problema passa por uma mudança cultural, e isso leva um pouco mais de tempo; mas continuamos trabalhando e tentando conscientizar as pessoas sobre essa problemática”, explicou.

Ao falar a respeito dos recursos utilizados nas investigações, Rômulo contou que, no município, são utilizados recursos que poucas delegacias do interior costumam recorrer, como é o caso da interceptação telefônica, quebra de sigilo de dados e telefônicos, além da quebra de contas em redes sociais.

Comparativo

Indagado sobre os municípios alagoanos que ainda não conseguiram reduzir ou cessar os índices criminais, o delegado apontou que para esse trabalho ser feito e haver redução de violência, seria importante a realização de concursos públicos na PC/AL. “Há pouquíssimos delegados na ativa, atualmente, e o déficit é de quase 200%. Alguns delegados estão acumulando até cinco delegacias. Assim, fica muito difícil qualquer implementação de política pública de segurança urbana”, disse.

Para ele, cada município tem suas peculiaridades locais e é difícil fazer um prognóstico. “A maioria das cidades obteve uma redução nos índices de homicídios neste último ano. Umas com maior força, outras com menos”, finalizou